Pesquisas mostram desigualdades no mercado de trabalho e reforçam o papel da educação na promoção da equidade de gênero.
Março é um período marcado por reflexões mais duras sobre avanços conquistados e desafios persistentes na promoção da igualdade de gênero. As discussões do mês ganham ainda mais relevância com a celebração do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, convidando governos, empresas e organizações sociais a analisarem indicadores sociais e econômicos que impactam diretamente a vida das mulheres.
No Brasil, apesar de avanços na participação feminina no mercado de trabalho e no acesso à educação, ainda persistem desigualdades estruturais. Informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados preliminares do Censo Demográfico 2022, indicam que as mulheres recebem, em média, cerca de 19,6% a menos do que os homens no País. O rendimento médio mensal feminino é de aproximadamente R$2.506,00 enquanto o dos homens chega a R$3.115,00, segundo o IBGE.
Esse cenário chama atenção especialmente porque as mulheres apresentam maior nível de escolaridade. Segundo o próprio IBGE, 28,9% das mulheres ocupadas possuem ensino superior completo, enquanto entre os homens esse percentual é de 17,3%. Ainda assim, a diferença salarial permanece em praticamente todos os níveis de instrução e chega a 37,5% entre profissionais com formação superior, evidenciando que a desigualdade não está relacionada apenas à qualificação, mas também a fatores estruturais do mercado de trabalho.
Um estudo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apresentado no Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios divulgado em 2025, com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), reforça esse cenário. Segundo o relatório, as mulheres empregadas no setor privado recebem, em média, 21,2% menos que os homens. A análise avaliou aproximadamente 54 mil empresas com 100 ou mais empregados e cerca de 19,4 milhões de vínculos formais de trabalho.
Embora a participação feminina nas grandes empresas tenha aumentado – passando de cerca de 40% em 2023 para 41,1% em 2025, segundo o Relatório de Transparência Salarial do MTE divulgado em 2025 – a massa total de rendimentos das mulheres representa apenas 35% da renda gerada nesses espaços. Ainda de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, caso a participação feminina no total de rendimentos acompanhasse o crescimento da presença das mulheres no mercado de trabalho, cerca de R$ 92,7 bilhões poderiam ser adicionados à economia brasileira.
Quando a análise considera o recorte racial, as desigualdades tornam-se ainda mais evidentes. Dados apresentados em debates promovidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua 2024) do IBGE, indicam que mulheres negras enfrentam maiores taxas de desemprego e recebem salários significativamente menores. Em média, enquanto homens não negros recebem cerca de R$ 6.391,94, mulheres negras recebem aproximadamente R$ 2.986,50, o que evidencia como desigualdade de gênero e desigualdade racial se combinam e ampliam os desafios enfrentados por diferentes grupos de mulheres.
Outro fator que impacta diretamente a participação feminina no mercado de trabalho é a divisão desigual das responsabilidades domésticas e de cuidado. De acordo com dados apresentados pela ONU Mulheres em estudos discutidos no XVI Seminário da Rede de Observatórios do Mercado de Trabalho, realizado em 2025, mulheres dedicam, em média, 2,5 vezes mais tempo do que os homens a atividades não remuneradas, como cuidados com filhos, familiares e tarefas domésticas. Essa realidade reduz o tempo disponível para qualificação profissional, desenvolvimento de carreira e participação em espaços de liderança.
Além disso, a presença feminina ainda é limitada em áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico, como ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Estudos apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego no seminário da Rede de Observatórios do Mercado de Trabalho realizado em 2025 indicam que as mulheres representam cerca de 30,3% dos formandos nessas áreas, percentual que evoluiu pouco em relação aos 29,2% registrados em 2010. Em contrapartida, elas permanecem majoritariamente concentradas em áreas relacionadas ao cuidado, como saúde e serviços sociais, nas quais representavam cerca de 75,9% dos formandos em 2022.
Diante de todos esses cenários, fica claro que ampliar o acesso à educação e fortalecer políticas de inclusão se tornam estratégias fundamentais para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades. A educação tem papel central na construção de trajetórias profissionais mais diversas, na valorização do potencial feminino e na promoção de uma participação mais equitativa das mulheres em diferentes setores da sociedade.
Nesse contexto, a atuação de organizações sociais, instituições públicas e privadas, empresas e comunidades torna-se essencial para impulsionar iniciativas que promovam educação de qualidade, desenvolvimento de habilidades e participação cidadã. Investir em educação significa criar condições para que meninas e mulheres ampliem suas possibilidades de escolha, fortaleçam sua autonomia e contribuam de forma plena para o desenvolvimento social e econômico.
Alinhado a esse compromisso, o Instituto Chamex promove a educação como ferramenta de transformação social por meio de dois programas principais:
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O Programa Impacto em Ação concentra esforços nas comunidades do entorno das operações da Sylvamo, apoiando iniciativas que fortalecem a educação básica, a formação profissional e o desenvolvimento comunitário, contribuindo para ampliar oportunidades e reduzir vulnerabilidades sociais.
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Já o Programa É papel de todos, de abrangência nacional, atua em parceria com organizações da sociedade civil para promover uma educação criativa, inclusiva, equitativa e de qualidade, apoiando projetos que ampliam o acesso à leitura, à alfabetização, à formação de educadores e ao exercício da cidadania.
Entre as iniciativas que buscam ampliar a participação feminina em diferentes setores profissionais, dentro do programa Impacto em Ação, destaca-se o projeto Impulso – Projeção de Mulheres na Indústria, que faz parte do Programa “Impacto em Ação”.
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G1. Desigualdade salarial: mulheres recebem 21% menos que homens no setor privado. Acessado em 08/03/2026. Clique aqui!
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G1. Mesmo mais escolarizadas, mulheres ganham quase 20% a menos que homens, diz IBGE. Acessado em 08/03/2026. Clique aqui!
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Ministério do Trabalho e Emprego. Desafios da mulher no mercado de trabalho: desigualdade de gênero e racismo persistem. Clique aqui!